8 de março: retratos da desigualdade de gênero no Brasil e no mundo

O último dia 08 foi marcado pelos atos em lembrança da data, mais conhecida como Dia Internacional das Mulheres. Foi nesse mesmo dia, mas em 1917, que aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II. As más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra culminaram em um protesto conhecido como “Pão e Paz”. A data consagrou-se, sendo oficializada como Dia Internacional da Mulher em 1921.

Entretanto, em quase 100 anos, a desigualdade de gênero ainda não foi eliminada, mantendo-se como um desafio às políticas públicas, economia, tecnologia e educação. É o que mostra as informações apresentadas pelo Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em artigo publicado no portal da organização.

“Séculos de discriminação e de patriarcado profundamente enraizado criaram uma enorme disparidade de poder entre gêneros nas nossas economias, sistemas políticos e empresas. Há provas disso por todo o lado”.

Para ele, a desigualdade de gênero em quase todos os setores da sociedade é a grande injustiça de nossa época e o maior desafio de direitos humanos que enfrentamos.

Liderança e poder

Embora tenhamos visto um enorme progresso nos direitos das mulheres nas últimas décadas, desde a abolição de leis discriminatórias até o aumento do número de meninas na escola, mulheres ainda são excluídas do alto escalão: de governos a conselhos corporativos e premiações de prestígio.

Segundo o estudo “Mulheres na Liderança” da Teva Indices, encomendado pelo Women on Board (WOB) – iniciativa independente apoiada pela ONU Mulheres – das empresas de capital aberto do Brasil, apenas 16,9% possuem ao menos duas mulheres em seus conselhos de administração. Esse número é ainda menor quando analisados os dados globais: considerando os 1.854 assentos em conselhos das 272 empresas participantes da pesquisa, somente 10,8% são ocupados por mulheres.

De acordo com o relatório, a maior parte das conselheiras de empresas são formadas em Administração (23%), Direito (15%), Engenharia (15%) e Economia (13%). A idade média delas é de 53 anos, contra 59 anos para homens. Das eleitas para o cargo, 61% conseguem a reeleição; entre homens o percentual é de 71,2%.

Política

Quando olhamos para o setor público, a representação política é a evidência mais clara da diferença de poder entre os gêneros. As mulheres são superadas em número em média de 3 a 1 nos parlamentos de todo o mundo, mas sua presença está fortemente correlacionada com a inovação e o investimento em saúde e educação. Não é por acaso que os governos que estão redefinindo o sucesso econômico para incluir bem-estar e sustentabilidade são liderados por mulheres.

Economia

A desigualdade também aparece no campo das finanças: mulheres ganham 77 centavos por cada dólar ganho pelos homens, embora elas façam cerca de 12 bilhões de horas de trabalho não remunerado todos os dias, o que simplesmente não é levado em conta na tomada de decisões econômicas.

A pesquisa mais recente do Fórum Econômico Mundial diz que serão necessários 257 anos para fechar essa lacuna.

O Brasil tem, segundo o relatório, uma das maiores desigualdades de gênero na América Latina, ocupando o 22º lugar entre 25 países da região. Mantido o ritmo atual, a desigualdade entre homens e mulheres vai demorar pelo menos 59 anos para desaparecer.

Tecnologia

Em seu artigo, António Guterres cita também o panorama da tecnologia digital:

“A falta de equilíbrio de gênero nas universidades, startups e ‘vales do silício’ em nosso mundo é profundamente preocupante. Esses centros de tecnologia estão moldando as sociedades e economias do futuro; não podemos permitir que eles entrincheirem e exacerbem o domínio masculino”.

Crise climática

Existe até mesmo uma desigualdade de gênero em nossa resposta à crise climática. As iniciativas para reduzir e reciclar são predominantemente direcionadas às mulheres, enquanto os homens são mais propensos a confiar em soluções tecnológicas não testadas. Na área de políticas públicas, economistas e parlamentares mulheres são mais propensas que os homens a apoiar políticas pró-ambientais.

Fontes: Estado de Minas, Exame e Portal das Nações Unidas.

📸: CoWomen | Unsplash

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