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As vantagens do estilo de vida minimalista

Que atire a primeira pedra quem nunca passou pela situação de achar que não tem roupa suficiente no armário e, tempos depois, descobriu peças ainda com etiqueta pegando mofo! Com o acesso tão fácil a qualquer tipo de produto, geralmente a alguns clicks de distância, consumir tornou-se sinônimo de felicidade e uma forma recente de prazer.

O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman escreveu, em seu livro “Vida para Consumo – A Transformação das Pessoas em Mercadoria”, que o consumo é algo banal, até mesmo trivial, uma atividade que fazemos todos os dias ou em ocasiões festivas, ao organizar um encontro com os amigos e comemorar um evento importante.

Já o consumismo associa a felicidade não tanto à satisfação das necessidades, mas a um volume e a uma intensidade de desejos sempre crescentes. Parafraseando a escritora francesa Simone de Beauvoir, não se nasce consumista, torna-se.

Mas será que é possível equilibrar essa relação com o consumo – que não é biológica, e sim, cultural?

Na contramão desse movimento, uma tendência contemporânea tem transformado o ato de consumir para algumas pessoas: o minimalismo, que virou uma palavra da moda. Na essência, é um estilo de vida que procura “viver com menos”, consumindo de maneira mais responsável.

Mais concentração, foco e criatividade

As vantagens econômicas do “menos é mais” são as mais evidentes, porém outros efeitos podem ser apontados pela ciência. Pesquisadores do programa de doutorado em Terapia Ocupacional da Universidade de Toledo, em Ohio, Estados Unidos, em um experimento com crianças de 1 a 3 anos, testaram e confirmaram a hipótese de que um ambiente com menos brinquedos, por exemplo, permite uma interação de mais qualidade na hora de brincar. Maior interação significa mais concentração e mais foco. Além disso, os especialistas concluíram que, quando expostas a menos opções, as crianças se engajam em períodos mais longos com uma única peça, o que permite atividades mais criativas.

Mais consciência, menos consumismo

Além do exagero do consumismo, há também o fenômeno da necessidade de trocar os bens materiais constantemente – o que pode ser difícil frente aos apelos da propaganda, impulsionada principalmente pelas redes sociais.

Segundo Bauman, temos uma vida “agorista”, em que o motivo da pressa é o impulso de adquirir e juntar, assim como descartar e substituir: um smartfone novo, mesmo que o anterior esteja em perfeito estado; uma bolsa nova, mesmo com o armário cheio.

Mais uma vez, pode aqui entrar o espírito do minimalismo, que ajuda a reconhecer o que realmente vale a pena manter em casa. Não precisamos falar só em ter menos coisas, mas sim ter as coisas que verdadeiramente importantes para nós.

Estamos falando do consumo consciente. O minimalismo tem muito a ver com esse conceito, que não é deixar de consumir, mas fazê-lo sem excesso, com a consciência de que os produtos e recursos que a gente consome geram impactos no meio ambiente e na sociedade. Esse movimento de “desaceleração” pode ser visto na moda, na alimentação e no movimento de microcasas.

Um bom ponto de partida para ajudar na reavaliação da sua relação de consumo é começar com a pergunta “eu quero ou preciso disso?”.

Menos coisas, mais pessoas

Ao se debruçar sobre a pergunta “O que torna a vida boa?”, o psiquiatra norte-americano Robert Waldinger contou, em uma palestra TED Talk, que não é fama nem dinheiro, mas, sim, as relações que cultivamos ao longo dos anos. Ele foi um dos diretores de uma pesquisa conduzida pela Universidade Harvard (Estados Unidos), durante 75 anos, voltada a compreender quais fatores levariam a uma boa saúde física e mental na vida adulta.

O estudo analisou dois grupos de homens: 268 estudantes da instituição e 456 jovens da cidade de Boston. A cada dois anos, os pesquisadores entrevistavam os homens e suas famílias, realizavam exames médicos e observavam a interação deles com outras pessoas. E concluíram que, não importava o nível socioeconômico, os que mantiveram laços fortes com família, amigos e comunidade tiveram vidas mais longas e saudáveis. Portanto, o segredo de uma boa vida não é ter o armário cheio, mas, sim, cuidar das relações.

Mais tempo livre e experiências

Na jornada pelo minimalismo, não entra apenas o consumo de bens materiais, mas também a maneira com que lidamos com as experiências e as atividades sociais. É o minimalismo social.

Na contramão do fenômeno psicossocial do FOMO (sigla em inglês para Fear Of Missing Out, ou medo de ficar de fora, em livre tradução), em que as pessoas permanecem quase full time conectadas com medo de perder algo aparentemente importante do mundo digital, o conceito prega por relações mais verdadeiras e compromissos que façam sentido de verdade para as pessoas. Afinal, ninguém necessita de 1 milhão de amigos virtuais, mas de poucos e bons amigos verdadeiros.

Ao repensar sua atividade de consumo, é possível dispor de mais tempo livre e, nesse intervalo, aproveitar para acrescentar mais experiências relevantes e que dialoguem com seus desejos não materiais.

Claudia Dedeski
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Administradora | Especialista em gestão de negócios e empresas | Trainee de blogueira

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